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Artigos


Os óculos que não tiramos
Existe um clichê que se repete há séculos, de Platão a podcasts de autoajuda: a ideia de que filosofar é "tirar os óculos" que distorcem nossa visão e, finalmente, enxergar a realidade "como ela realmente é". É uma promessa sedutora. Quase mágica. Se você conseguisse arrancar essas lentes enganosas — seus preconceitos, sua educação, sua cultura, seus traumas — alcançaria uma visão pura, neutra, objetiva. Teria, quase, superpoderes.
Vitor Lima


O cafezinho de Ariano Suassuna
Ariano Suassuna, em uma dessas entrevistas memoráveis com Jô Soares, contou uma história aparentemente trivial, mas que carrega uma profundidade filosófica impressionante. Disse o escritor paraibano que tomou café durante décadas — não por prazer, mas "por falta de personalidade". Todo mundo repetia que brasileiro gostava de café, e ele tomava. Se queimava todo, achava azedo, mas continuava tomando. Até que, aos 57 anos, uma epifania tardia: ele decidiu que não gostava de caf
Vitor Lima


Sobre a imortalidade dos fungíveis - ou: Qual marca estamos deixando no mundo?
Recentemente tenho me questionado acerca do que torna uma pessoa singular, única. "Sui generis", no linguajar pseudointelectual rebuscado dos que apelam à autoridade do latim (língua morta, por sinal, num paradoxo com o objetivo deste texto).
Rafael Priveiro D'Abruzzo
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